quarta-feira, 12 de junho de 2013

ou de comida chinesa


no vazio, 
as horas passam 
devagar.

pedaços 
de lembranças,
vozes,
flyers 
de pizzaria.

no vazio,
as horas pesam 
mais.

o tempo 
ergue castelos 
de isopor.


todo mês


se nasce e morre 
todo mês.

a semana passa 
sem uma palavra.

não importa,
nada nos pertence.

a noite é estranha,
o mar é longe.

o dia, uma terra 
estrangeira.

terça-feira, 11 de junho de 2013

se não falássemos de estrelas


se eu pudesse, 
também escreveria 
uma canção de amor.
Vênus e Júpiter seriam 
mais brilhantes, 

se não falássemos de estrelas.
da minha parte, 
cansei de matar mariposas
e contar colheres,
ver os cacos no chão 
não virarem copo, 

voar na flecha do tempo.
meu bem eu prometo
nem toda dor da hora 
vai ser demais, 
ainda que não pareça.

vício inerente


naquela noite, acordou virado de barriga pra cima 
com a boca seca, semiaberta murmurando palavras 
sem nexo e aparentemente sem som. 
sonhava, ou melhor, estava preso num pesadelo.
no pesadelo, estava perdendo a cabeça, ficando maluco, 
perturbado e doente porque tentava entender as coisas e não conseguia. 
acordou várias vezes durante a noite, suando frio sob o edredom ensopado. 
virou de lado em cada uma delas e, assim que fechou os olhos,  
despencou do quarto e caiu no mesmo lugar, na mesma cela escura. 
na última vez que acordou já clareava,
o celular mostrando 5 e 17 da manhã.
cansado, como se mal tivesse dormido, 
fez força pra manter os olhos abertos e não cair no sono
tomou um gole de água morna 
e engoliu um inseto junto, sem se perguntar qual.
botou o copo na mesa, deitou na cama 
e ficou olhando o teto branco 
enquanto o dia acabava de nascer.