sábado, 29 de outubro de 2011

Doomed





it is midnight
but there's still people on the bus,
in pairs, groups, talking, laughing -

while she rides alone, in silence.
she probably feels like crying, and she
does try, but not a tear drops down.
people dry up too, just like dead grass.

the same train goes through the same
station, the same motions, the
opening and closing of doors, the sound
of the pressure of the air.

she walks the same streets,
but at night, nobody around now,
nothing but a full mind
and the heavy weight of being, breathing sometimes.

the way home again. another city, country,
another continent. she barely looks at the sky.
it is dark, and it's saturday, and quiet
and capable of nothing -
I have to watch her go away.





sexta-feira, 28 de outubro de 2011






Me recuso a aceitar o fim do homem.
Acredito que ele não só sobreviverá
mas que ele há de prevalecer. Imortal,
não porque ele sozinho, dentre todas as criaturas,
possuí voz inextinguível, mas porque possuí alma,
um espírito capaz de compaixão, sacrifício
e acima de tudo de resistir. O dever do poeta, do
escritor, é o de escrever sobre isso.
É seu privilégio fazer com que o homem possa resistir
elevando o seu coração, lembrando-o de sua coragem
e sua honra e esperança e seu orgulho e
compaixão e piedade e sacrifício,
marcas de toda glória de seu passado.
A voz do poeta deve ser mais que um testemunho,
deve ser um pilar, uma única última estrutura
que ajude o homem a resistir a qualquer custo
e enfim prevalecer, eterno.




William Faulkner






sábado, 22 de outubro de 2011

When it's still not time




the middle of town when still dark
but not night anymore. Saturday began
Friday
and it's still too cold early in the morning
as he goes up the stairs,
the station as the only place warm enough to read.
That is so so he does not really wake up
and dreams long lost in sleep are fetched back,
brought to reality under new light,
eyes not yet that clouded by the feel
of life passing.
He knows there's people living
in hospitals, suitcases all over the floor,
take-away food
and that even children are waiting to die;
they kill a man and ask us to forget there was ever a war.
But ten years are gone now
and nothing brings anything back. Not now,
not anymore. Then the phone rings
and everything stops -- it is 7:20, time
to wake up! says the machine as he
stands up trying desperately not to think
about anything now, finally and almost sadly
awake for the world.





This Morning
(poema traduzido de Raymond Carver)






Por um minuto ou dois
tornaram-se nebulosos os usuais devaneios
sobre o que era certo,
e o que era errado -- dever,
doces lembranças, pensamentos de morte, como eu deveria
tratar minha ex-mulher. Todas as coisas
que eu esperava que desaparecessem essa manhã.
Coisas com as quais vivo todos os dias. O que
eu passei por cima pra permanecer vivo.
Mas por um ou dois minutos esquecí sim
meu próprio eu e o resto todo. Eu sei que sim.
Pois quando voltei
não sabia onde estava. Até que alguns pássaros alçaram voo
acima das árvores. E se foram
na direção que eu necessitava ir.





sábado, 15 de outubro de 2011

Grief
(poema traduzido de Raymond Carver)







Acordei cedo esta manhã e de minha cama
lancei o olhar distante sobre o Canal e vi
um pequeno barco cruzando as águas agitadas,
uma só luz de navegação. Lembrei
de meu amigo que costumava gritar
o nome da esposa morta do topo do morro
ao redor de Perugia. Que colocou um prato
pra ela em sua simples mesa muito tempo
depois que ela se foi. E abriu as janelas
pra que ela respirasse o ar puro. Tais coisas
que me sentia embarassado. Assim como
outros amigos. Eu não conseguia ver.
Não até essa manhã.